.
Para fugir do costume, publico hoje minha opinião sobre um filme triste, mas que não faz chorar. Sem piano de fundo, nem delicadezas que geralmente dão cor aos dramas de minha preferência, "Green Street Hooligans" é violento, repleto de testosterona e trata de um assunto que vai muito além da minha compreensão - o mundo do futebol. Deixo claro, então, que meu objetivo não é julgar se o filme foi ou não fiel à realidade das torcidas organizadas da Inglaterra; esta tarefa fica para quem a conhece mais de perto. Porém, sem abandonar minha 'personalidade mocinha' - que me fez desviar os olhos de muitas cenas violentas do filme, admito -, posso fazer algumas considerações quanto ao longa em si.
Frodo Bolseiro sempre será um hobbit ingênuo, e nada que Elijah Wood faça apagará tal fama. Mesmo assim, Lexi Alexander, que assina a direção, consegue extrair uma dose certa desta imagem frágil para constituir Matt Buckner, que entra perdido no meio da torcida violenta do West Ham United. Na trama, sua aproximação com os GSE (Green Street Hooligans) se dá após Matt ser expulso de Harvard por um delito que não cometeu; e o filme erra quando parte do princípio-clichê de que jovens revoltados catalizam suas frustrações de forma violenta. Por outro lado, quebra-se a crença de que a brutalidade nas torcidas cresce proporcionalmente ao baixo nível de instrução de seus indivíduos: a história acerta retratando torcedores que se defrontam com uma torcida inimiga, mas que têm de levantar cedo no dia seguinte para dar aula de história, pilotar avião ou exercer outras profissões socialmente aceitas.
É um filme de altos e baixos, no qual as cenas de confronto são um personagem à parte. Há quem diga que o sangue na tela acaba ocasionando mais sangue na vida real, e é verdade que "Hooligans" faz com que o espectador se identifique com um grupo passional, que faz de tudo em prol não só de seu time, mas da sua união, e desrespeita toda racionalidade necessária à manutenção da espécie. Contudo, o diretor consegue fugir de possíveis justificativas para a atitude dos briguentos, e termina sua história mostrando que a vida é muito mais do que o status buscado por quem faz parte da temida GSE. Em um detalhe, inclusive, quando Matt finalmente se vinga de seu inimigo principal, percebemos a opinião do autor da trama quanto às atitudes violentas retratadas pelo filme.
As cenas das brigas recebem cortes inteligentes que não permitem ao espectador se perder entre os golpes, mas são capazes de poupar o estômago dos mais fracos. Mesclando tomadas lentas e rápidas, a fotografia também foi muito bem escolhida em suas cores frias, contrastando com o calor do momento e com um sangue mais vermelho do que nunca. Vale a pena comentar que, infelizmente, a figura feminina capaz de equilibrar o filme tipicamente masculino é pouco utilizada, na pele da belíssima Claire Forlani, de "Encontro Marcado".
O filme vale a pena não só para os homens que se deliciam com cenas de ação, nem para as mulheres que se contentam com o rostinho bonito de Charlie Hunnam, que interpreta o líder da GSE. A briga final, onde homens marcham feito soldados, rumo à incerteza e embalados por uma música que romantiza possíveis heróis, provoca reflexão sobre a violência em geral. Concluo então que guerras político-econômicas não passam de brigas entre gangues de jovens que, mesmo crescidinhos, ainda não possuem nenhum discernimento no que diz respeito aos seus motivos para perturbar a paz.
.
Quando você percebe que o seu corpo não é feito de vidro
Não se sente vivo, se não testar os seus limites a todo momento
Não se sente vivo, se não testar os seus limites a todo momento
Um comentário:
Olha só, a dama do blog escrevendo sobre um drama violento de machões ;P
Brincadeiras a parte, Hooligans é um bom filme; não só por mostrar esse lado das brigas entre os famosos torcedores ingleses, mas também, como já citado na crítica, deixar claro que a maioria dessas pessoas têm uma vida decente por trás disso tudo.
Outro ponto positivo é que o diretor consegue mostrar muito bem a relação de respeito e hierarquia que é criada dentro dessas torcidas. O líder pode até estar errado em determinadas atitudes para algum membro da organizada, mas nunca ele deixará de ser respeitado.
Postar um comentário