domingo, 21 de dezembro de 2008

Queime Depois de Ler (Burn After Reading, 2008)

Por Bruno Pongas
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Depois de fazer sucesso e arrebatar prêmios e mais prêmios com o aclamado 'Onde os Fracos Não Têm Vez', os irmãos Ethan e Joel Coen voltam às raízes com mais uma comédia de humor ácido e muito refinado.
'Queime Depois de Ler' poderia ser mais uma comédia besta e sem sentido nas mãos de qualquer diretor, mas, sob a tutela dos Coen, se transformou em uma grande diversão e acima de tudo numa forte crítica. É bem verdade que para isso temos uma 'pequena' ajuda do estelar elenco - atores do mais alto escalão de Hollywood como Brad Pitt, John Malkovich e George Clooney, são colocados em papéis ridiculamente hilários que se interligam entre si da maneira mais bizarra e impessoal possível e tornam a trama ainda mais engraçada. Como se não bastasse, vemos a bela Frances McDormand muito bem e praticamente irreconhecível na pele da esquisita e ambiciosa Linda Litzke.
Os personagens - muito bem interpretados, diga-se de passagem - nos apresentam uma sátira e escancaram como somos idiotas e não temos o mínimo valor para as grandes instituições. J.K Simmons é um chefe de departamento na CIA que não faz nada o dia inteiro, apenas recebe informações de um subordinado e toma as decisões mais simplistas e compensatórias possíveis. John Malkovich também trabalha para a CIA, mas é demitido acusado de ser alcoólatra. Além disso, ele vive em uma forte crise conjugal com sua esposa. George Clooney é uma espécie de tira canastrão que nunca sequer precisou usar sua arma durante tantos anos de profissão. Assim como Malkovich, ele também passa por uma série de problemas em seu casamento. Brad Pitt é um completo idiota, instrutor de academia e sempre influenciado pela personagem de McDormand - gerente da academia em que Pitt trabalha e que tenta de tudo para conseguir fazer algumas cirurgias e 'melhorar' seu físico.
Um dos pontos fortes do filme é a construção dos personagens. Os diretores usaram boa parte da primeira metade da trama para apresentá-los ao público e dá-los vida; muito diferente do que costumamos ver na maioria dos filmes - personagens que surgem do nada, sem passado algum e sem nenhuma característica marcante. Em 'Queime Depois de Ler' quase todos têm vida, sabe-se o que fazem, as características psicológicas e os traços marcantes - bastante evidentes nos personagens de Pitt e Malkovich. Como disse um pouco mais acima, outro ponto forte e também bastante divertido é a maneira como as histórias se interligam - sempre da maneira mais imprevisível e original.
Em suma, o novo filme dos irmãos Coen rende boas risadas ao ridicularizar situações presentes no nosso cotidiano; ou seja, no final das contas gargalhamos de nós mesmos, do nosso dia-a-dia, do ridículo que somos e do descasso pelo qual nos fazem passar.
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Minha Nota: 8.5

2 comentários:

Anônimo disse...

eu não achei tudo isso...
a idéia é legal, no fim tudo não passa de um grande mal entendido. E a caracterização dos personagens tb ficou legal.
Mas sei la...aquela história ficou confusa d+. É legal como os personagens se ligam e a relação deles. Mas ficou um pouco forçado, talvez por eu estar acustumada a ver o Brad Pitt e o George Clooney fazendo outro tipo de filme. Eu acho que só o Malkovich e a Frances McDormand fizeram direito o trabalho.
e eu não dei gargalhadas! se eu bem me lembro, um dos meus amigos dormiu e eu e o outro rimos umas 4x o filme todo!
No fim eu ri de raiva mesmo.
Mas é o tipo de filme dos Coen né...ame ou odeie.

Leka Marcondes disse...

Bom, que os Coen são ame ou odeie, isso é verdade. Mas achei 'Queime depois de ler' com um propósito bem melhor do que 'Onde os Fracos não tem vez'. E não no sentido de ridicularizar a nós mesmos, pq eu espero não me incluir em uma camada da sociedade que envolve chantagem, assassinato e obsessão pela imagem. Mas pq demonstra bem o ponto em que a burocracia institucional deixa de ser necessária para atrapalhar a vida de todo mundo.
É engraçado, com ótimas atuações - tudo bem que não é o tipo de filme dele, mas o Brad Pitt com aqueles trejeitos ficou um máximo! - e um filme que, mesmo sem um desfecho clássico, tem uma razão de existir.