Por Alessandra Marcondes.
Fui assistir "Les Chansons d'amour" sem idéia do que se tratava, no embalo de dois amigos em que confio quando a questão é cinema. Talvez eu o tivesse descartado através da sinopse, pois não morri de amores pelos últimos filmes que vi nem com Ludivine Sagnier ("Uma garota dividida em dois") nem com Louis Garrel ("Em Paris"). Porém, logo na cena inicial, o diretor Christophe Honoré ganhou meu voto de confiança: a música pop de Alex Beaupain (autor inclusive da canção que salva "Em Paris", na cena do telefone) é cantada pelos próprios atores, sem os frufrus da maioria dos musicais. Daí em diante, dançarinos brilhantes não surgirão de fora da tela, nem haverá orquestras rebuscando músicas românticas... Apenas as personagens darão conta de mostrar o quão complexo é o relacionamento amoroso entre duas (ou mais) pessoas.
Fui assistir "Les Chansons d'amour" sem idéia do que se tratava, no embalo de dois amigos em que confio quando a questão é cinema. Talvez eu o tivesse descartado através da sinopse, pois não morri de amores pelos últimos filmes que vi nem com Ludivine Sagnier ("Uma garota dividida em dois") nem com Louis Garrel ("Em Paris"). Porém, logo na cena inicial, o diretor Christophe Honoré ganhou meu voto de confiança: a música pop de Alex Beaupain (autor inclusive da canção que salva "Em Paris", na cena do telefone) é cantada pelos próprios atores, sem os frufrus da maioria dos musicais. Daí em diante, dançarinos brilhantes não surgirão de fora da tela, nem haverá orquestras rebuscando músicas românticas... Apenas as personagens darão conta de mostrar o quão complexo é o relacionamento amoroso entre duas (ou mais) pessoas.
Entre diálogos, canções e a belíssima Paris como cenário, a trama não perde tempo. Pode-se dizer que o longa tem ritmo acelerado pois trata de muitos acontecimentos e personagens pelo caminho, com um ponto de virada crucial que desencadeará diversas outras surpresas. Para manter a velocidade dos fatos sem se perder no conteúdo, Honoré tem de sacrificar o tratamento dado à relacão de Ismael (Garrel) com Julie (Sagnier), por exemplo - o espectador mal entende se existe ou não amor entre os dois, e já tem de passar para a próxima 'fase', digamos assim.
De qualquer maneira, a história dramática é percebida para aqueles que se prendem a cada detalhe, ou à 'beleza do gesto', como propõe Ismael quando o assunto é amor. As seqüências tristes demais (mas belíssimas, com destaque para a cena de Chiara Mastrioanni no parque) recebem cortes inteligentes que misturam os sentimentos de quem assiste. A dor de se perder alguém querido sem conseguir seguir em frente é grave demais, mas é impossível passar sem um sorriso no rosto pela conversa em que Julie conta para a sua mãe que está envolvida em um ménage a trois. Ou quando Jeanne (Mastrioanni) flagra o ex-namorado 'hetero' de sua irmã na cama com outro.
Se for pra tirar uma lição maior, o filme nos mostra que não há limites para o amor. Se encaixa perfeitamente na modernidade volátil em que vivemos, pois aquela idéia antiga de termos uma única chance para encontrar nossa alma gêmea vai de encontro à busca pela felicidade plena que nossa individualidade estabeleceu. Honoré foge dos esteriótipos, respeitando diferentes manifestações de sexualidade entre suas personagens, e demonstrando que aproveitar os pequenos detalhes é muito mais importante do que estabelecer se devemos amar só homens, só mulheres, só uma, duas, ou três pessoas.
Um filme bonito, que deixa aquele sorriso doído no rosto enquanto passam os créditos. A trilha sonora vale por si só, mas quando associada à sensibilidade na expressão de cada ator, e manuseada pelos dedos de algodão de Christophe Honoré, se transforma em um produto explêndido e diferente de tudo que já se viu.
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Mas um amor que realmente dure
Faz os amantes menos belos
O passar do tempo
Rouba o que temos de melhor
Faz os amantes menos belos
O passar do tempo
Rouba o que temos de melhor
Um comentário:
Me passa a trilha sonora depois? ^^
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