quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Lemon Tree (Etz Limon, 2008)

Por Bruno Pongas
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O conflito árabe-israelense ocorre desde o final do século XIX no Oriente Médio. Até hoje, diversas foram as tentativas de selar a paz na região - a maioria delas frustrada. Disputa de terras estratégicas comercialmente e ideologias religiosas completamente distintas estão entre os principais motivos para o eterno desgaste. Este é um simples panorama do cenário que encontraremos no filme "Lemon Tree".
Em linhas gerais, o enredo conta a história de Salma Zidane - uma viúva palestina detentora de uma generosa plantação de limoeiros - que vê sua vida virar um verdadeiro desastre após a chegada de seu novo vizinho - o ministro da defesa de Israel. Incomodados com um possível ataque dos grupos terroristas palestinos vindos da vasta plantação, o ministro opta pelo mais simples; em meio a diversas alternativas mais humanas, ele prefere ordenar que se acabe com os limoeiros.
Obviamente o objetivo do diretor Eran Riklis é ir muito mais além de uma história fictícia e inocente. O que acontece com Salma no filme, acontece com muitas pessoas na vida real; histórias essas que acabam sendo ingnoradas e esquecidas pela grande mídia. Entretanto, Riklis consegue tratar dessa cruel realidade com uma beleza e sentimentos que envolvem profundamente o espectador. Torna-se impossível não se solidarizar com uma uma mulher que vê seu único grande patrimônio sendo degradado aos poucos pela falta de bom senso daqueles que esbanjam poder. Ao mesmo tempo, é difícil não se emocionar com o pseudo-romance vivido por ela ao desenrolar da trama.
Também fica evidente o descaso das autoridades e os jogos de poder que envolvem determinadas situações; da mesma maneira que é indignante ver o ministro 'calando' sua esposa - que é contra o fim dos limoeiros. Também causa repúdio o desumano veredito final da Suprema Corte de Israel.
"Lemon Tree" vale pela sua dramática e tocante beleza; inegavelmente um excelente filme, brilhante direção e, desconhecidos, porém ótimos atores.
A curiosidade fica por conta das cenas em que o advogado de Salma - personagem vivido por Ali Suliman - aparece vestindo uma jaqueta com uma bandeira do Brasil; como se não bastasse, em uma dessas cenas ele acorda na casa de Salma, e, em cima de sua cama há um pequeno retrato do craque francês Zinedine Zidane; coincidentemente carrasco do Brasil na Copa do Mundo de 1998. Mera coincidência?
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Minha Nota: 9.0

Um comentário:

Leka Marcondes disse...

Infelizmente, mais um filme com críticas políticas muito bem feitas, mas que será assistido por pouquíssimas pessoas e cairá no esquecimento em questão de meses.
O diretor explica um quadro complexo de ataca-defende desenhando uma analogia com os limoeiros, e humaniza as árvores como se elas fossem os milhares de palestinos que sofrem com tal realidade. Destaca as difíceis barreiras impostas pela tradição, que atingem principalmente as mulheres, mas faz com que espectadores como nós, tão distantes culturalmente, nos identifiquemos com as personagens e mergulhemos na história.
Detalhe: aquele muro separando os dois mundos e a expressão desolada no rosto da Salma e do ministro mostra que a guerra não tem sentido nenhum, e nela não existem vencedores.