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Fazendo jus ao papel de participante feminina do blog, escrevo hoje sobre esse romance belíssimo de estréia de Sarah Polley ("Minha vida sem mim") na direção. Fiona (Julie Christie) e Grant (Gordon Pinsent) formam um casal maduro, que já passou por altos e baixos ao longo de vários anos, mas ainda é apaixonado. Assim, por cima, é só mais uma história de amor que resiste aos obstáculos da vida, satisfazendo o espírito de todos os espectadores que buscam finais felizes para seus próprios romances. Mas e se a pessoa amada é vítima de um mal como o Alzheimer, que não tira a vida, mas acaba com importantes lembranças referentes a ela?
O modo como essa doença pode afetar uma família inteira não está claro na mente de quem nunca a conheceu de perto. Porém, o filme dá uma noção desesperadora do que significa simplesmente esquecer em que gaveta ficam os talheres, qual suéter é o seu, ou qual foi a pessoa que presenciou seus momentos mais importantes nos últimos 40 anos.
Na trama, é justo Fiona que adoece. A mulher forte e decidida, que faz questão de se internar em uma clínica para não atrapalhar a vida de seu marido, enquanto ele pede que ela não vá - inverte-se o lugar comum em que o abandonado sempre é o doente. Grant, por sua vez, se mostra um homem mais interessante do que se imaginava: se contenta com o papel de amigo da esposa pelo fato de ela ter se esquecido quem ele é, e ainda observa respeitosamente o romance que ela passa a ter com um amigo de dentro da clínica.
Além da fotografia marcada por planos amplos e distantes que retratam a solidão das personagens, a trilha sonora delicada embala um filme que pode ser deseperadoramente triste sem perder a beleza que há em enxergar sempre o lado positivo da vida. A combinação do cenário gelado com a quantidade de luz que invade os corredores da clínica (quem assistiu, entenderá) combina com a personalidade de Fiona, que emana luz mesmo no meio da mais dolorosa situação. E Julie Christie, que foi muito bem escolhida para o papel (Sarah já havia trabalhado com ela antes, atuando em "A vida secreta das palavras") transmite toda essa mistura de sentimentos sem precisar pronunciar uma única palavra.
O filme é brilhante, e provoca uma melancolia boa depois que sobem os créditos. Para os menos sensíveis, vale a pena porque se destaca entre a multidão de romancezinhos feitos em cima de uma fórmula óbvia, existente no cenário atual. Já para aqueles que adoooram um dramalhão, confesso: chorei do começo ao fim.
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"Não seria legal se a gente casasse"?
- e o que você disse? -
"Eu aceitei. Nunca quis ficar longe dela."
2 comentários:
Chorou mesmo! hahaha :]
O filme é bom, é verdade!
Ah, e...
Minha Nota: 7.3
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