segunda-feira, 30 de junho de 2008

Onde os Fracos Não Tem Vez (No Country for Old Men, 2007)

Por Bruno Pongas
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O que você faria se encontrasse uma maleta cheia de dinheiro no meio do deserto? É aí que começa uma caçada intensa pelo meio-oeste americano, tônica de Onde os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Men).
A trama, dirigida pelos irmãos Ethan e Joel Coen, não chega a ser uma obra prima do cinema mas, sem dúvida nenhuma, é um grande filme.
Com um enredo muito bem trabalhado, a história começa com uma pequena narrativa feita por Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones), xerife local, contando um pouco sobre como era a vida no passado. Com foco na violência, Bell diz que, antigamente, um policial sequer precisava andar armado. Mas o filme mostra um olhar um tanto quanto apocalíptico a respeito da violência, pois o xerife se torna uma pessoa desiludida com as mudanças mostradas pelo desenrolar da trama.
Após a pequena introdução, são apresentados os dois personagens principais. O 'mocinho' é o caçador Llewelyn Moss (Josh Brolin) e o vilão, personagem muito bem trabalhado por sinal, é Anton Chigurh (Javier Barden). É inevitável dizer que os dois irão se cruzar em algum momento da história, só que isso ainda demora um pouco para acontecer. Moss, como caçador de ofício, segue sua rotina até que, em um belo dia, encontra carros e muitas pessoas mortas em meio ao deserto. Ao se aproximar, se depara com uma grande quantidade de drogas em um dos carros (provavelmente as mortes foram fruto de uma negociação que falhou). Mais adiante, ele encontra outro homem morto, esse com uma maleta cheia de dinheiro. O caçador, pouco bobo, não pensa duas vezes e leva a grana para casa, mesmo tendo a consciência de que viriam atrás dele. Ao mesmo tempo, o psicótico Chigurh, que assusta apenas pelo olhar e pela cara de maluco, é enviado para recuperar o dinheiro. É incrível como Barden foi transformado num personagem altamente assustador - com certeza ficará marcado com um dos maiores vilões da história da telona.
Repleto de mortes, sangue e com diálogos excelentemente trabalhados (como exemplo, a cena onde Chigurh faz seu joguinho de cara ou coroa), Onde os Fracos Não Têm Vez é uma grande trama, com certeza merecedora do Oscar de melhor filme. A película fica marcada por ótimas atuações; do caçador, interpretado por Josh Brolin, e principalmente pela do psicopata interpretado por Javier Barden. O filme também chama a atenção por nos trazer uma visão pessimista a respeito da violência e dos tempos que vivemos hoje em dia.
Premiações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Javier Barden), Melhor Roteiro Adaptado. Indicado ainda à Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Edição de Som. Ganhou também dois Globos de Ouro nas categorias Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro.
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Minha Nota: 8.5

2 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leka Marcondes disse...

Alessandra:
Cadê a inovação em tratar de violência com caráter pessimista? Tem alguém que fala bem do tráfico de drogas e do mata-mata desenfreado que ele provoca?

Vale a pena pelos diálogos bem elaborados, mas muita coisa fica mal explicada e a quantidade enorme de sangue faz jus ao título do filme. Haja estômago!